domingo, 11 de dezembro de 2011

Can't be


Bom era que a saudade não afetasse a alma,
que me deixasse progredir sempre com um sorriso na cara.
Mas isso já lá vai, agora, viro louco e fico sem calma
e, aos poucos, vou perdendo o brilho como um dia coberto de nuvens.

Frontal, temporal, parietal, occipital, esfenóide e etmóide
sinto-vos a todos neste momento e é com tremenda agonia que quero que pare.
Mas se não se sente por fora, sente-se por dentro
e, nas estranhas, dói muito mais.

Tu ,às de copas, que tanto sofres, mereces dedicar-te ao ócio.
É impressionante a forma como reagem contigo, 
desde a apatia a um modo leviano de proceder.

Regressa a nostalgia do tempo em que se recebia e espalhava sorrisos.
Volta a vontade de um retorno, do género de um D. Sebastião
que vinha salvar a semana que parecia perdida.
Sinto falta é de uma época como a da rapieira,
mostrava-se respeito, vivia-se de uma forma mais dinâmica
(salvava-se donzelas, corria-se a cavalo, desfrutava-se da natureza),
vivia-se.
Hoje a transparência passa-lhes ao lado.
E em linha reta caminha-se em direção ao fundo.
A saudade, o tempo, o corpo, a falta de oportunidade
tudo isso é o delito para a sonolência da alma e o apagar da íris.

(by João Garrido)

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